Historiador Licenciado pela Universidade Estadual do Ceará, tenho publicado pela Fundação Demócrito Rocha o livro Quintino Cunha -2002 obra da coleção Terra Bárbara. Além dessa publicação atuei como colaborador em diversos livros que tratam da história do Ceará e de alguns dos seus mais destacados personagens, como o empreendedor Delmiro Golveia( biográfico), Senador Alencar -2000 ( Biográfico) . O último trabalho em que atuei foi " História da Sociedade Cearense - 2004" do hístóriador Airton de Farias. Também fazem parte dos trabalhos em que me envolvi o livro " Os Pecados Capitais do Cambeba - 2002.", obra em que a parte devida aos historiador Airton de Farias destina-se a analisar de forma clara e objetiva a era Tasso Jereissati.
O objetivo ao criar esse espaço é comentar um pouco de nossa história. Um abraço.
HISTÓRIA DE ROMA
HISTÓRIA DE ROMA
Roma Antiga: Questões de Vestibulares
1. Na Roma Antiga, a expressão "até tu Brutus?" foi atribuída a Júlio César que, de acordo com fontes históricas, a teria proferido no momento de seu assassinato, em 44 a.C. Nesse contexto da história de Roma, Júlio César tornou-se conhecido porque
a) iniciou o processo de expansão romana, desencadeando as chamadas guerras púnicas, por meio das quais Roma se converteu em potência marítima.
b) criou o primeiro código escrito, denominado "Leis das Doze Tábuas", que tratava de assuntos referentes ao Direito Civil e ao Direito Penal.
c) adquiriu grandes poderes e privilégios especiais, como os títulos de ditador perpétuo e de censor vitalício, suscitando lutas políticas pelo poder, sobretudo no Senado Romano.
d) contribuiu, com as suas leis abolicionistas, para crise geral do escravismo romano, que abalou as atividades agrícolas de todo o Império Romano.
e) propôs à Assembleia Romana o seu projeto de reforma agrária, limitando a ocupação de terras públicas aos cidadãos romanos.
2. (Fuvest) "A história da Antiguidade Clássica é a história das cidades, porém, de cidades baseadas na propriedade da terra e na agricultura."
(K. Marx. "Formações econômicas pré-capitalistas.")
Em decorrência da frase de Marx, é correto afirmar que
a) os comerciantes eram o setor urbano com maior poder na Antiguidade, mas dependiam da produção agrícola.
b) o comércio e as manufaturas eram atividades desconhecidas nas cidades em torno do Mediterrâneo.
c) as populações das cidades greco-romanas dependiam da agricultura para a acumulação de riqueza monetária.
d) a sociedade urbana greco-romana se caracterizava pela ausência de diferenças sociais.
e) os privilégios dos cidadãos das cidades gregas e romanas se originavam da condição de proprietários rurais.
3. (Fatec) A expansão romana pelo Mar Mediterrâneo gerou importantes transformações políticas, econômicas e sociais.
Dentre elas temos:
a) fortalecimento da família; desenvolvimento das atividades agropastoris; grande afluxo de riquezas, provenientes das conquistas.
b) aumento do trabalho livre; maior concentração populacional nos campos e enriquecimento da elite patrícia.
c) influência bastante grande da cultura grega; domínio político dos plebeus; grande moralização dos costumes.
d) fim do trabalho escravo; concentração da plebe no campo; domínio político dos militares.
e) grande número de escravos; predomínio do comércio; êxodo rural, gerando o empobrecimento da plebe.
4. (Fgv) O Edito de Milão (313), no processo de desenvolvimento histórico de Roma, reveste-se de grande significado, tendo em vista que
a) combateu a heresia ariana, acabando com a força política dos bispados de Alexandria e Antioquia.
b) tornou o cristianismo a religião oficial de todo Império Romano, terminando com a concepção de rei-deus.
c) acabou inteiramente com os cultos pagãos que então dominavam a vida religiosa.
d) deu prosseguimento à política de Deocleciano de intenso combate à expansão do cristianismo.
e) proclamou a liberdade do culto cristão passando Constantino a ser o protetor da Igreja.
5. (Fgv) Com a expansão do poder romano [sob a República], tornou-se enorme a diferença entre a pequena cidade nascida às margens do Tibre e a Roma todo-poderosa, agora senhora do Mediterrâneo. A economia, a política, a vida social e religiosa dos romanos passaram por profundas modificações.
(José Jobson de A. Arruda e Nelson Piletti, "Toda a História")
Entre as modificações que se pode identificar está
a) a prosperidade do conjunto da plebe, maior beneficiária da ampliação do mercado consumidor em função das províncias conquistadas.
b) a disseminação da pequena propriedade, com a distribuição da terra conquistada aos legionários, maiores responsáveis pela expansão.
c) a crescente influência cultural dos povos conquistados, em especial os gregos, alterando as práticas religiosas romanas.
d) o enrijecimento moral de toda a sociedade, que passou a não mais tolerar as bacanais - festas em honra ao deus Baco.
e) a criação e consolidação do colonato como base da economia romana e sua disseminação pelas margens do mar Mediterrâneo.
6. (Fuvest) A expansão de Roma durante a República, com o consequente domínio da bacia do Mediterrâneo, provocou sensíveis transformações sociais e econômicas, dentre as quais:
a) marcado processo de industrialização, êxodo urbano, endividamento do Estado.
b) fortalecimento da classe plebeia, expansão da pequena propriedade, propagação do cristianismo.
c) crescimento da economia agropastoril, intensificação das exportações, aumento do trabalho livre.
d) enriquecimento do Estado romano, aparecimento de uma poderosa classe de comerciantes, aumento do número de escravos.
e) diminuição da produção nos latifúndios, acentuado processo inflacionário, escassez de mão-de-obra escrava.
7. (Fuvest) Várias razões explicam as perseguições sofridas pelos cristãos no Império Romano, entre elas:
a) a oposição à religião do Estado Romano e a negação da origem divina do Imperador, pelos cristãos.
b) a publicação do Edito de Milão que impediu a legalização do Cristianismo e alimentou a repressão.
c) a formação de heresias como a do Arianismo, de autoria do bispo Ário, que negava a natureza divina de Cristo.
d) a organização dos Concílios Ecumênicos, que visavam promover a definição da doutrina cristã.
e) o fortalecimento do Paganismo sob o Imperador Teodósio, que mandou martirizar milhares de cristãos.
8. (Mackenzie) A ruralização econômica do Império Romano do Ocidente (do século III ao V d.C.) NÃO teve como consequência:
a) o rebaixamento de muitos homens livres à condição de colonos que se tornaram presos à terra.
b) o surgimento do colonato, que se constituiu no arrendamento de terras aos camponeses.
c) o latifúndio, principal unidade de produção, tornou-se quase autossuficiente.
d) o aumento do afluxo de escravos para Roma, que dinamizou a expansão da economia agrícola.
e) o campo tornou-se mais seguro que as cidades, em decorrência das desordens político-sociais e da crise econômica.
9. (Mackenzie) Leia o texto:
"Os homens que combatem e morrem pela Itália têm o ar, a luz e mais nada (...). Lutam e perecem para sustentar a riqueza e o luxo de outro, mas embora sejam chamados senhores do mundo, não têm um único torrão de terra que seja seu."
(Tibério Graco - Perry Anderson, PASSAGEM DA ANTIGÜIDADE AO FEUDALISMO, pág. 60)
Os irmãos Tibério e Caio Graco, Tribunos da Plebe romana, pretendiam:
a) limitar a área de terras públicas (Ager Publicus) ocupadas por particulares e distribuir as mesmas aos cidadãos pobres.
b) limitar a área de latifúndios e distribuir as terras públicas aos Patrícios.
c) limitar o direito de cidadania romana aos habitantes do Lácio, Etrúria e Sabínia.
d) limitar a excessiva expansão territorial derivada de uma prolongada política de conquista e anexação de terras.
e) limitar a expropriação dos latifúndios e estabelecer propriedades coletivas.
10. (Mackenzie) As Guerras Púnicas, conflitos entre Roma e Cartago, no século II a.C., foram motivadas:
a) pela disputa pelo controle do comércio no Mar Negro e posse das colônias gregas.
b) pelo controle das regiões da Trácia e Macedônia e o monopólio do comércio no Mediterrâneo.
c) pelo domínio da Sicília e disputa pelo controle do comércio no Mar Mediterrâneo.
d) pela divisão do Império Romano entre os generais romanos e a submissão de Siracusa a Cartago.
e) pelo conflito entre o mundo romano em expansão e o mundo bárbaro persa.
11. (Mackenzie) Durante a República Romana, a conquista da igualdade civil e política, os tribunos da plebe e a lei das Doze tábuas foram decorrentes:
a) da marginalização política, discriminação social e desigualdade econômica que afetavam a plebe romana.
b) da crise do sistema escravista de produção, transformando escravos em colonos e consequente declínio da agricultura.
c) do elevado poder do exército, que para conter a pressão das invasões bárbaras realizou reformas político-administrativas.
d) do afluxo de riqueza para Roma devido às conquistas e enfraquecimento da classe equestre.
e) da elevação do cristianismo que pregava a igualdade de todos os homens.
12. (Puccamp) Sobre os primitivos habitantes da Itália, pode-se afirmar que os:
a) italiotas acomodaram-se no Sul da Itália, onde desenvolveram povoados.
b) gregos ocuparam a parte Central da Península, subdividindo-se em vários clãs.
c) etruscos, provavelmente originários da Ásia, ocuparam o Norte da Península.
d) lígures fixaram-se ao Sul combatendo ferrenhamente os etruscos.
e) sículos penetraram na Península através da cadeia dos Alpes e ocuparam o Norte.
13. (Pucpr) A importância de Otávio Augusto em Roma antiga, concentra-se principalmente no seu esforço para:
a) solucionar a crise agrícola decorrente da falta de pequenas propriedades.
b) vencer as guerras púnicas, trazendo paz para a sociedade romana.
c) estruturar um império com governo centralizado, apoiado em instituições republicanas.
d) impedir que as reformas introduzidas pelos Gracos alterassem a estrutura agrária de Roma.
e) favorecer a expansão do cristianismo, conciliando seus princípios com a filosofia romana.
14. (Ufg) O governo da República romana estava dividido em três corpos tão bem equilibrados em termos de direitos que ninguém, mesmo sendo romano, poderia dizer, com certeza, se o governo era aristocrático, democrático ou monárquico. Com efeito, a quem fixar a atenção no poder dos cônsules a constituição romana parecerá monárquica; a quem fixá-la no Senado ela mais parecerá aristocrática e a quem fixar no poder do povo ela parecerá claramente democrática.
(POLÍBIOS. "Historia". Brasília: Ed. da UnB, 1985. Livro VI, 11. p. 333.)
Políbios descreve a estrutura política da República romana (509-27 a. C.), idealizando o equilíbrio entre os poderes. Não obstante, a prática política republicana caracterizou- se pela
a) organização de uma burocracia nomeada a partir de critérios censitários, isto é, de acordo com os rendimentos.
b) manutenção do caráter oligárquico com a ordem equestre dos "homens novos" assumindo cargos na administração e no exército.
c) adoção da medida democrática de concessão da cidadania romana a todos os homens livres das províncias conquistadas.
d) administração de caráter monárquico com o poder das assembleias baseado no controle do exército e da plebe.
e) preservação do caráter aristocrático dos patrícios que controlaram o Senado, a Assembleia centuriata e as magistraturas.
15. (Ufrn) Sidônio Apolinário, aristocrata da Gália romana, escrevendo a um amigo, num período de grandes transformações culturais, assim se expressou:
O vosso amigo Eminêncio, honrado senhor, entregou uma carta por vós ditada, admirável no estilo [...]. A língua romana foi há muito tempo banida da Bélgica e do Reno; mas se o seu esplendor sobreviveu de qualquer maneira, foi certamente convosco; a nossa jurisdição entrou em decadência ao longo da fronteira, mas enquanto viverdes e preservardes a vossa eloquência, a língua latina permanecerá inabalável. Ao retribuir as vossas saudações o meu coração alegra-se dentro de mim por a nossa cultura em desaparição ter deixado tais traços em vós [...].
Apud PEDRERO-SÁNCHEZ, Maria Guadalupe. "História da Idade Média: textos e testemunhas". São Paulo: Editora UNESP, 2000. p. 42-43.
A opinião contida no fragmento da carta está diretamente relacionada às
a) invasões dos territórios do Império Romano pelos povos germânicos, provocando mudanças nas instituições imperiais.
b) influências da cultura grega sobre a latina após a conquista da Grécia pelos romanos e sua anexação ao Império.
c) vitórias dos romanos sobre Cartago nas chamadas Guerras Púnicas (264-146 a. C.), impondo a cultura do Império a todo o norte da África.
d) crises que se abateram sobre o Império Romano depois do governo de Marco Aurélio (161-180 d. C.), quando o exército passou a controlar o poder.
16. (Ufscar) Quando a notícia disto chegou ao exterior, explodiram revoltas de escravos em Roma (onde 150 conspiraram contra o governo), em Atenas (acima de 1.000 envolvidos), em Delos e em muitos outros lugares. Mas os funcionários governamentais logo as suprimiram nos diversos lugares com pronta ação e terríveis torturas como punição, de modo que outros que estavam a ponto de revoltar- se caíram em si.
(Diodoro da Sicília, sobre a Guerra Servil na Sicília. 135-132 a.C.)
É correto afirmar que as revoltas de escravos na Roma Antiga eram
a) lideradas por senadores que lutavam contra o sistema escravista.
b) semelhantes às revoltas dos hilotas em Esparta.
c) provocadas pela exploração e maltratos impostos pelos senhores.
d) desencadeadas pelas frágeis leis, que deixavam indefinida a situação de escravidão.
e) pouco frequentes, comparadas com as que ocorreram em Atenas no tempo de Sólon.
17. (Ufv) A respeito das classes que compunham a sociedade romana na Antiguidade, é CORRETO afirmar que:
a) os "plebeus" podiam casar-se com membros das famílias patrícias, forma pela qual conseguiam quitar suas pendências de terra e dinheiro, conseguindo assim certa ascensão social.
b) os "plebeus" compunham a classe formada pelos camponeses, artesãos e alguns que conseguiam enriquecer-se por meio do comércio, atividade que lhes era permitida.
c) os "clientes" eram estrangeiros acolhidos pelos patrícios e transformados em escravos, quando sua conduta moral não condizia com a de seus protetores.
d) os "patrícios" foram igualados aos plebeus, durante a democracia romana, quando da revolta dos clientes, que lutaram contra a exclusão social da qual eram vítimas.
e) os "escravos" por dívida eram o resultado da transformação de qualquer romano em propriedade de outrem, o que ocorria para todos que violassem a obrigação de pagar os impostos que sustentavam o Estado expansionista.
18. (Unaerp) Na história de Roma, o século III da era cristã é considerado o século das crises. Foi nesse período que:
a) As tensões geradas pelas conquistas se refletiram nas contendas políticas, criaram um clima de constantes agitações, promovendo desordens nas cidades.
b) O exército entrou em crise e deixou de ser o exército de cidadãos proprietários de terras.
c) O império romano começou a sofrer a terrível crise do trabalho escravo, base principal de sua riqueza.
d) Os soldados perderam a confiança no Estado e tornaram-se fiéis a seus generais partilhando com eles os espólios de guerra.
e) Os conflitos pela posse da terra geraram a Guerra Civil.
19. (Unesp) "O vínculo entre os legionários e o comandante começou progressivamente a assimilar-se ao existente entre patrão e cliente na vida civil: a partir da época de Mário e Sila, os soldados procuravam os seus generais para a reabilitação econômica e os generais usavam os soldados para incursões políticas."
(Perry Anderson, "PASSAGEM DA ANTIGUIDADE AO FEUDALISMO".)
O texto oferece subsídios para a compreensão:
a) da crise da República romana.
b) da implantação da monarquia etrusca.
c) do declínio do Império Romano.
d) da ascensão do Império Bizantino.
e) do fortalecimento do Senado.
20. (Unifesp) Fomos em busca dos homens fugidos de nosso povoado e descobrimos que cinco deles e suas famílias estavam nas terras de Eulogio, mas os homens deste senhor impediram nos com violência de nos aproximar da entrada do domínio.
(Egito romano, em 332 d.C.)
... os colonos não têm liberdade para abandonar o campo ao qual estão atados por sua condição e seu nascimento. Se dele se afastam em busca de outra casa, devem ser devolvidos, acorrentados e castigados.
(Valentiniano, em 371 d.C.)
Os textos mostram a
a) capacidade do Império romano de controlar a situação no campo, ao levar a cabo a política de transformar os escravos em colonos presos à terra.
b) luta de classes, entre camponeses e grandes proprietários, pela posse das terras que o Estado romano, depois da crise do século III, é incapaz de controlar.
c) transformação, dirigida pelo governo do Baixo Império, das grandes unidades de produção escravistas em unidades menores e com trabalho servil.
d) permanência de uma política agrária, mesmo depois da crise do século III, no sentido de assegurar um número mínimo de camponeses soldados.
e) impotência do governo romano do Baixo Império em controlar a política agrária, por ele mesmo adotada, de fixar os pobres livres no campo.
Ao longo do século XIX, o continente americano foi varrido pelos mais diversos movimentos de independência. Região de colonização europeia, a América teve na Independência das Treze Colônias Inglesas a pioneira deste processo, evento que ocorreu ainda no século anterior. No entanto, seria somente nos “oitocentos” que as demais regiões viriam a se libertar da dominação metropolitana, inclusive aquelas sob controle espanhol.
Influenciados pelos ideais libertários do Iluminismo, estes movimentos se sucederam em clara resposta ao aperto do pacto colonial imposto pela Espanha. Neste momento, as colônias hispano-americanas sofriam com uma extensa carga tributária, além de um sistema fiscalizador cada vez mais rigoroso, elevando a insatisfação dos colonos a níveis nunca antes vistos.
Uma das determinações mais impopulares tomadas pela Coroa espanhola foi o estabelecimento do sistema de “Portos Únicos”. Segundo esta deliberação, os negociantes americanos só poderiam enviar suas mercadorias à Europa através de portos específicos, localizados no México, Panamá e Colômbia. Embora esta medida tivesse sido adotada pelo governo espanhol já nas primeiras décadas da colonização, sua aplicação passou a ser mais rígida nos anos anteriores à eclosão das independências.
AUTOGOVERNO DOS CABILDOS
Nos primeiros anos do século XIX, a Europa foi assolada pelo expansionismo napoleônico, transformando sua formatação territorial e composição política. Na Espanha, por exemplo, as tropas francesas foram responsáveis pela deposição de Fernando VII, fato que viria a transformar profundamente os caminhos tomados pelas colônias hispânicas no Novo Mundo.
Neste momento, o trono espanhol ficou sob a incumbência de José Bonaparte, irmão de Napoleão. Os colonos americanos, então, jurando fidelidade a Fernando VII, não reconheceram a legitimidade do novo governo. A partir de então, os assuntos da colônia passaram, assim, a ser coordenados diretamente pelos cabildos, espécie de câmara municipal integrada pelos colonos hispano-americanos mais abastados, oscriollos.
O autogoverno dos cabildos representava, ao menos na prática, a quase que total autonomia dos colonos no que diz respeito às decisões sobre as questões pertinentes à América Hispânica. Neste momento, caberia a estes homens o papel que anteriormente era desempenhado pela Coroa espanhola e seus representantes. E foi justamente neste cenário que as elites coloniais deram início às lutas pela independência.
Com a derrota de Napoleão e as resoluções do Congresso de Viena, todos os governantes submetidos por Bonaparte foram novamente levados ao poder. Fernando VII, por exemplo, voltara ao trono espanhol, reimplementando o absolutismo no país. Em relação às suas colônias, tentou retomar o controle dessas regiões, retirando toda a autonomia conquistada por seus nativos durante o período marcado pelo autogoverno dos cabildos. Apresentava-se, então, mais um fator motivador para o fortalecimento dos movimentos emancipacionistas.
LIDERANÇA CRIOLLA
Liderados pelas elites criollas, tais movimentos contaram com pequena participação popular. Diferente da ilha de São Domingos (atual Haiti), colônia francesa cujo processo de independência foi liderado por escravos de origem africana, as colônias espanholas tiveram suas emancipações coordenadas pelos setores mais abastados.
Evidentemente que revoltas populares chegaram a ocorrer, como, por exemplo, o movimento liderado pelos padres Miguel Hidalgo e José Morellos no México, e a rebelião organizada por Tupac Amaru na região do Peru. No entanto, todas elas foram frontalmente combatidas não apenas pelas autoridades espanholas, mas também pelas elites criollas, temerosas da “haitinização” dos movimentos de independência.
As independências hispano-americanas ocorreram em momentos distintos, basicamente ao longo das três primeiras décadas do século XIX. Em todos os casos, a participação dos “Libertadores da América” foi fundamental. Estes homens eram importantes líderes locais que coordenaram diversos movimentos emancipatórios. Simón Bolívar, José de San Martín, Bernardo O’Higgins e José Sucre foram quatro desses libertadores que, conjuntamente às elites criollas, fundamentaram o surgimento dos primeiros países livres no território da América Espanhola.
PÓS-INDEPENDÊNCIA
Com o sucesso das independências, a maioria dos novos países estabeleceu a república como sistema de governo, agora invariavelmente sob a liderança dos antigos criollos. Esta formatação política contribuiu para a fragmentação do território hispano-americano, pois os interesses desses líderes locais em manter o domínio sob suas regiões fragilizavam qualquer tentativa de unificar essas áreas.
Simón Bolívar foi o grande representante do projeto unitarista, defendendo a união das ex-colônias espanholas em uma única e grandiosa nação independente. Bolívar advogou esta proposta no Congresso do Panamá, encontro que buscava definir os caminhos a serem tomados pelos novos países latino-americanos. No entanto, frente aos interesses das lideranças locais e ao desejo da Inglaterra e dos Estados Unidos em impedir a formação de uma potência rival na região, seu programa unitarista foi derrotado. Deste modo, a fragmentação do território foi consolidada e a formação de vários países estabelecida.
(Unesp – 2013) Leia:
É uma ideia grandiosa pretender formar de todo o Novo Mundo uma única nação com um único vínculo que ligue as partes entre si e com o todo. Já que tem uma só origem, uma só língua, mesmos costumes e uma só religião, deveria, por conseguinte, ter um só governo que confederasse os diferentes Estados que haverão de se formar; mas tal não é possível, porque climas remotos, situações diversas, interesses opostos e caracteres dessemelhantes dividem a América. (Simón Bolívar. Carta da Jamaica [06.09.1815]. In: SimónBolívar:política, 1983.)
O texto foi escrito durante as lutas de independência na América Hispânica. Podemos dizer que:
a) ao contrário do que afirma na carta, Bolívar não aceitou a diversidade americana e, em sua ação política e militar, reagiu à iniciativa autonomista do Brasil.
b) ao contrário do que afirma na carta, Bolívar combateu as propostas de independência e unidade da América e se empenhou na manutenção de sua condição de colônia espanhola.
c) conforme afirma na carta, Bolívar defendeu a unidade americana e se esforçou para que a América Hispânica se associasse ao Brasil na luta contra a hegemonia norte-americana no continente.
d) conforme afirma na carta, Bolívar aceitou a diversidade geográfica e política do continente, mas tentou submeter o Brasil à força militar hispano-americana.
e) conforme afirma na carta, Bolívar declarou diversas vezes seu sonho de unidade americana, mas, em sua ação política e militar, reconheceu que as diferenças internas eram insuperáveis.
Questão 2
Assinale a opção que contém um dos objetivos de Simón Bolívar:
a) Emancipar a América Latina como uma associação comercial unitária, que, posteriormente, daria a origem à ALALC.
b) Desenvolver a industrialização no continente sob a hegemonia norte-americana para fazer frente à forte economia inglesa.
c) Desenvolver a solidariedade continental em torno da hegemonia do Canadá, estabelecendo um intercâmbio direto deste com todos os países latino-americanos.
d) Estabelecer uma política separatista respeitando as diferenças culturais e até linguísticas entre os países latino-americanos.
e) Criar uma Confederação dos Estados Americanos face à possível contraofensiva da Europa apoiada pela Santa Aliança.
Questão 3
Leia o texto a seguir:
A guerra caracterizou e deu visibilidade ao processo de independência na América. Não há como duvidar dessa premissa. Primeiro, a elite criolla descobriu a possibilidade de utilizar a guerra como um elemento de união interna e, segundo, percebeu que poderia usar sua experiência como um meio capaz de encaminhar a América rumo ao Ocidente. Ambos os processos ocorreram numa sequência com objetivo de garantir a ordem frente aos conflitos étnicos e políticos, bem como de estabelecer uma imagem da América que fosse confiável e promissora, tanto interna quanto externamente. Nem mesmo no fim da vida, Simón Bolívar desistiu de encarar a força – e, portanto, a guerra que lhe dava expressão – como meio importante para a produção de acontecimentos políticos favoráveis. (FREDRIGO, Fabiana de Souza. “As guerras de independência, as práticas sociais e o código de elite na América do século XIX: leituras da correspondência bolivariana”. Varia hist., Belo Horizonte, v. 23, n. 38, Dec. 2007. p. 311).
De acordo como o texto, Simón Bolivar estava preocupado em construir uma imagem da América liberta que fosse bem vista aos olhos europeus e aos olhos dos próprios americanos. Essa preocupação refletia:
a) Uma estratégia política orientada pela própria coroa espanhola.
b) A adequação ao projeto moderno de nações politicamente emancipadas e aptas ao progresso.
c) Um projeto de articulação política com os Estados Unidos da América, que se simpatizavam com as ideias de Bolívar .
d) Um projeto articulado junto com o Brasil, já que Bolívar também exercia forte influência entre os políticos brasileiros.
e)Uma estratégia política inspirada no “Destino Manifesto”, mas com o objetivo inverso.
Questão 4
Uma das diferenças essenciais entre a Independência da América Espanhola e a Independência Brasileira está no:
a) modelo político adotado, haja vista que na América Hispânica predominou o modelo republicano, enquanto no Brasil adotou-se o modelo monárquico.
b) modelo de guerra adotado, já que no Brasil a guerrilha foi o modelo de combate adotado no processo de independência.
c) modelo econômico, haja vista que o Brasil, ao contrário da América Espanhola, sofreu um grave transtorno na produção agrícola, levando a política colonial ao colapso.
d) carisma do líder, já que Bolívar tinha menos impacto na consciência da população do que Dom Pedro I.
e) papel do exército, já que, no caso brasileiro, o exército precisou impedir que Portugal retomasse o Brasil como sua colônia.
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INDEPENDÊNCIA DO BRASIL
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A Independência do Brasil, enquanto processo histórico, desenhou-se muito tempo antes do príncipe regente Dom Pedro I proclamar o fim dos nossos laços coloniais às margens do rio Ipiranga. De fato, para entendermos como o Brasil se tornou uma nação independente, devemos perceber como as transformações políticas, econômicas e sociais inauguradas com a chegada da família da Corte Lusitana ao país abriram espaço para a possibilidade da independência.
A chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil foi episódio de grande importância para que possamos iniciar as justificativas da nossa independência. Ao pisar em solo brasileiro, Dom João VI tratou de cumprir os acordos firmados com a Inglaterra, que se comprometera em defender Portugal das tropas de Napoleão e escoltar a Corte Portuguesa ao litoral brasileiro. Por isso, mesmo antes de chegar à capital da colônia, o rei português realizou a abertura dos portos brasileiros às demais nações do mundo.
Do ponto de vista econômico, essa medida pode ser vista como um primeiro “grito de independência”, onde a colônia brasileira não mais estaria atrelada ao monopólio comercial imposto pelo antigo pacto colonial. Com tal medida, os grandes produtores agrícolas e comerciantes nacionais puderam avolumar os seus negócios e viver um tempo de prosperidade material nunca antes experimentado em toda história colonial. A liberdade já era sentida no bolso de nossas elites.
Para fora do campo da economia, podemos salientar como a reforma urbanística feita por Dom João VI promoveu um embelezamento do Rio de Janeiro até então nunca antes vivida na capital da colônia, que deixou de ser uma simples zona de exploração para ser elevada à categoria de Reino Unido de Portugal e Algarves. Se a medida prestigiou os novos súditos tupiniquins, logo despertou a insatisfação dos portugueses que foram deixados à mercê da administração de Lorde Protetor do exército inglês.
Essas medidas, tomadas até o ano de 1815, alimentaram um movimento de mudanças por parte das elites lusitanas, que se viam abandonadas por sua antiga autoridade política. Foi nesse contexto que uma revolução constitucionalista tomou conta dos quadros políticos portugueses em agosto de 1820. A Revolução Liberal do Porto tinha como objetivo reestruturar a soberania política portuguesa por meio de uma reforma liberal que limitaria os poderes do rei e reconduziria o Brasil à condição de colônia.
Os revolucionários lusitanos formaram uma espécie de Assembleia Nacional que ganhou o nome de “Cortes”. Nas Cortes, as principais figuras políticas lusitanas exigiam que o rei Dom João VI retornasse à terra natal para que legitimasse as transformações políticas em andamento. Temendo perder sua autoridade real, D. João saiu do Brasil em 1821 e nomeou seu filho, Dom Pedro I, como príncipe regente do Brasil.
A medida ainda foi acompanhada pelo rombo dos cofres brasileiros, o que deixou a nação em péssimas condições financeiras. Em meio às conturbações políticas que se viam contrárias às intenções políticas dos lusitanos, Dom Pedro I tratou de tomar medidas em favor da população tupiniquim. Entre suas primeiras medidas, o príncipe regente baixou os impostos e equiparou as autoridades militares nacionais às lusitanas. Naturalmente, tais ações desagradaram bastante as Cortes de Portugal.
Mediante as claras intenções de Dom Pedro, as Cortes exigiram que o príncipe retornasse para Portugal e entregasse o Brasil ao controle de uma junta administrativa formada pelas Cortes. A ameaça vinda de Portugal despertou a elite econômica brasileira para o risco que as benesses econômicas conquistadas ao longo do período joanino corriam. Dessa maneira, grandes fazendeiros e comerciantes passaram a defender a ascensão política de Dom Pedro I à líder da independência brasileira.
No final de 1821, quando as pressões das Cortes atingiram sua força máxima, os defensores da independência organizaram um grande abaixo-assinado requerendo a permanência e Dom Pedro no Brasil. A demonstração de apoio dada foi retribuída quando, em 9 de janeiro de 1822, Dom Pedro I reafirmou sua permanência no conhecido Dia do Fico. A partir desse ato público, o príncipe regente assinalou qual era seu posicionamento político.
Logo em seguida, Dom Pedro I incorporou figuras políticas pró-independência aos quadros administrativos de seu governo. Entre eles estavam José Bonifácio, grande conselheiro político de Dom Pedro e defensor de um processo de independência conservador guiado pelas mãos de um regime monárquico. Além disso, Dom Pedro I firmou uma resolução onde dizia que nenhuma ordem vinda de Portugal poderia ser adotada sem sua autorização prévia.
Essa última medida de Dom Pedro I tornou sua relação política com as Cortes praticamente insustentável. Em setembro de 1822, a assembleia lusitana enviou um novo documento para o Brasil exigindo o retorno do príncipe para Portugal sob a ameaça de invasão militar, caso a exigência não fosse imediatamente cumprida. Ao tomar conhecimento do documento, Dom Pedro I (que estava em viagem) declarou a independência do país no dia 7 de setembro de 1822, às margens do rio Ipiranga.
EXERCÍCIOS DE REVISÃO - HISTÓRIA
INDEPENDÊNCIA DO BRASIL
1ºREINADO/REGÊNCIAS/2º REINADO
01) Para muitos brasileiros que vivenciaram o período regencial (1831-1840), aquele foi um
tempo de impasses, mudanças e rebeliões. Sobre esse período, é correto afirmar que:
I - a renúncia inesperada do Imperador D. Pedro I levou à nomeação de uma regência trina e à
implantação, em caráter provisório, de um governo republicano.
II - a antecipação da maioridade de D. Pedro II, em 1840, garantiu o restabelecimento da ordem
monárquica e a pacificação de todas as revoltas que ameaçavam a integridade territorial do
Império.
III - houve uma série de revoltas envolvendo desde elementos das tropas regulares até escravos,
destacando-se, entre elas, a Farroupilha, Cabanagem, Balaiada e Sabinada entre outras.
IV - a ausência provisória da autoridade monárquica estimulou a proliferação de projetos
políticos destinados à reorganização do Estado imperial.
Assinale a alternativa:
a) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.
b) se somente a afirmativa I estiver correta.
c) se somente as afirmativas III e IV estiverem corretas.
d) se todas as afirmativas estiverem corretas.
02) As três afirmações abaixo referem-se ao contexto histórico do reconhecimento da
Independência Brasileira, conquistada em 1822.
I. O reconhecimento por parte dos EUA, em 1824, obedeceu aos princípios da Doutrina
Monroe, segundo os quais os norteamericanos deviam apoiar os movimentos de
independência no continente e combater toda pretensão européia de intervenção ou
recolonização na América.
II. Para o reconhecimento, formalizado em 1825, Portugal exigiu do Brasil uma
compensação de 2 milhões de libras.
III. Uma importante condição imposta pela Inglaterra nas negociações com o Brasil foi a
promessa de extinção imediata do tráfico de escravos africanos, condição que, embora
gerasse discordâncias, acabou por ser plena e imediatamente aceita.
Assinale:
a) se apenas I é correta.
b) se apenas II é correta.
c) se apenas I e II é correta.
d) se I, II e III são corretas.
03) A primeira Constituição Brasileira, outorgada em 1824, apresentava uma novidade em
relação às monarquias constitucionais existentes no Ocidente: a existência de um quarto poder,
o Poder Moderador, idealizado pelo pensador liberal suiço Henri-Benjamim Constant de
Rebecque, mas que na prática funcionava de maneira oposta à que ele havia concebido. Sobre as
características do Poder Moderador criado pela Constituição de 1824, é CORRETO afirmar que
ele assegurava:
a) a liberdade de imprensa no país.
b) o equilíbrio entre os demais poderes.
c) a participação do povo nas eleições.
d) o controle dos órgãos do Estado pelo Imperador.
04) A famosa Lei Áurea, de 13 de maio de 1888, aboliu definitivamente a escravidão no
Brasil. Apesar disso, a situação dos negros após aquela Lei caracterizou-se:
a) Pela marginalização da massa de ex-escravos, com o conseqüente aparecimento de
áreas miseráveis nas cidades, para onde parte dela se dirigiu, ou a manutenção das suas
precárias condições de vida no campo, onde muitos preferiam permanecer.
b) Pelo fortalecimento político da monarquia, que manteve o apoio do grupo
parlamentarista que representava os interesses do Vale do Paraíba, agora indiferente à
questão republicana.
c) Pela tentativa de superar o impasse político com a formação do Gabinete da
Conciliação, reunindo liberais e conservadores.
d) Pelo inicio da fase das questões militar, eleitoral, religiosa e sucessória e das guerras
externas.
05) O café tornou-se o principal produto brasileiro de exportação durante o século XIX.
Considere as afirmações abaixo sobre o processo de expansão da lavoura cafeeira:
1) A cultura para exportação instalou-se, logo no início do século, no Vale do Paraíba,
utilizando basicamente a mão-de-obra escrava e técnicas rudimentares de produção.
2) O plantio expandiu-se, a partir de meados do século, do Vale do Paraíba e mais tarde
para o Oeste Paulista. Essa expansão foi facilitada pelo encontro de solo fértil propício,
ainda que dificultada pela necessidade de expulsão dos antigos ocupantes da região.
3) As relações de trabalho predominantes transformaram-se, após o fim do tráfico negreiro
intercontinental, em meados do século. De relações escravistas no Vale do Paraíba
fluminense passaram a relações de assalariamento no Oeste paulista.
4) A exportação, que durante a primeira metade do século, era majoritariamente para a
Inglaterra, a partir de 1870 direcionou-se para os Estados Unidos, quando passou a
representar o equivalente a mais da metade da pauta de exportação brasileira.
Assinale:
a) se todas as alternativas estiverem corretas
b) se somente 1, 3 e 4 são corretas.
c) se somente 1, 2 e 4 são corretas.
d) se somente 1, 2 e 3 são corretas.
06) Quanto à guerra que colocou em confronto Brasil e Paraguai, é possível afirmar que:
I – O Paraguai perdeu mais da metade de sua população durante a guerra.
II – A economia paraguaia foi praticamente arrasada durante o conflito.
III – Apesar de vitorioso, o Brasil sai ainda mais dependente do capital britânico.
IV – Após a guerra, o exército brasileiro deixou de existir, sendo reativado somente depois da
proclamação da república.
Em relação aos itens acima, assinale a alternativa correta.
a) Se todas as afirmativas estão corretas.
b) Se apenas I, II e III estão corretas.
c) Se apenas I e II estão corretas.
d) Se apenas II, III e IV estão corretas.
07) Nas últimas décadas do século XVIII, ocorreram diversas manifestações de
descontentamento em relação ao sistema colonial português na América. Essas manifestações
geraram movimentos sediciosos, que chamamos de "Conjurações" ou "Inconfidências", todos
abortados pela repressão metropolitana. Sobre eles, NÃO é correto afirmar:
a) A Conjuração Mineira, em 1789, foi a primeira a manifestar a intenção de ruptura com
os laços coloniais, e reuniu diversos membros da elite mineradora.
b) A Conjuração Baiana, em 1798, também conhecida como "Revolta dos Alfaiates",
congregou entre as lideranças dos revoltosos, mulatos e negros livres ligados às
profissões urbanas, principalmente artesãos e soldados.
c) As conjurações foram influenciadas pelas experiências européia e norte-americana, que
se difundiram nas regiões coloniais por meio de livros importados, de pasquins
elaborados localmente e de discussões nas casas e ruas de Ouro Preto e Salvador.
d) A influência externa se fez de modo distinto: enquanto a Conjuração Mineira tomou
como exemplo o período do "Terror robespierrista" da Revolução Francesa, a
Conjuração Baiana teve como paradigma os ideais expressos na Independência norteamericana.
08) ...“Em 1808 ganha seu museu real, Escola de Cirurgia e Medicina do Hospital Militar,
imprensa régia. (...) Aloja numerosas instituições e repartições estatais. Ergue palacetes,
palácios e novos subúrbios. Tem o Banco do Brasil, o Teatro S. João, o Jardim Botânico, a
Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios.”
O texto menciona acontecimentos ocorridos no Brasil a partir:
a) do fim da abolição da escravatura.
b) da transferência da corte portuguesa para o Brasil.
c) da independência da colônia.
d) das Revoltas Regenciais que reivindicavam melhoras ao país.
09) Sobre a religiosidade e a Igreja Católica no século XIX, no Brasil, é correto afirmar que:
a) Segundo as leis do Império, ao Imperador cabia o direito do padroado, nomeando bispos e
outros titulares de cargos eclesiásticos no Brasil e, desta forma, subordinando a hierarquia da
Igreja ao poder imperial.
b) A quase totalidade da população brasileira era católica e utilizava o espaço das igrejas para
praticar a religião. O episódio de Canudos, ao final do século, representando um desvio nos
cânones da Igreja pelos seguidores de Conselheiro, configurou uma exceção.
c) A união entre Igreja e Estado nem sempre se realizou de forma harmônica. A "Questão
religiosa", em fins do Império, expressou a insatisfação de alguns bispos perante a proibição do
Imperador ao livre funcionamento das lojas maçônicas.
d) Enquanto algumas ordens religiosas, como a dos beneditinos e a dos carmelitas,
estabeleceram-se livremente, no Brasil, outras, como a dos jesuítas e a dos franciscanos foi
proibida de construir igrejas e mosteiros.
10) Sabinada na Bahia, Balaiada no Maranhão e Farroupilha no Rio Grande do Sul foram
algumas das lutas que ocorreram no Brasil em um período caracterizado:
a) Por um regime centralizado na figura do imperador, impedindo a constituição de partidos
políticos e transformações sociais na estrutura agrária.
b) Pelo estabelecimento de um sistema monárquico descentralizado, o qual delegou às
províncias o encaminhamento da “questão servil”.
c) Por uma base de transição política, decorrente da abdicação de D. Pedro I, fortemente
marcada por um sudo de industrialização, estimulado pelo Estado.
d) Pela redefinição do poder monárquico e pela formação dos partidos políticos, sem que se
alterassem as estruturas sociais e econômicas estabelecidas.
11) “Tantas foram às formas que a família colonial assumiu, que a historiografia recente tem
explorado em detalhes suas origens e o caráter das uniões, enfatizando-lhe a multiplicidade e as
especificidades em função das características regionais da colonização e da estratificação social
dos indivíduos.” (ALGRANTI,Leila M.Famílias e vida domestica .In:SOUZA,Laura de M.
Historia da vida privada no Brasil.Cotidiano e vida privada na América portuguesa.São Paulo:
Companhia das letras,1997.v.1,p.87.)
Sobre a organização familiar nas grandes propriedades açucareiras durante o período colonial, é
correto afirmar que:
a) Os grandes proprietários constituíam núcleos familiares estáveis e restritos, onde os
escravos tinham total liberdade de aproximação.
b) Nas fazendas, em função do desenvolvimento tecnológico avançado dos engenhos,
reproduzia-se o modelo de família nuclear burguesa característico da Europa.
c) Os escravos, pela localização das senzalas nas proximidades da casa-grande, não
constituíam relações familiares duradouras e/ou estáveis.
d) A família extensa, que incluía como modelo o patriarcalismo, era característica dos
ricos proprietários das grandes fazendas de cana-de-açúcar.
12) A afirmação segundo a qual “o partido que sobe entrega o programa de oposição ao partido
que desce e recebe deste o programa de governo” está relacionada aos partidos políticos
atuantes no Brasil do segundo reinado (1840-1889). Sobre esse assunto, é correto afirmar:
a) A forma democrática e descentralizada do parlamentarismo do segundo reinado
garantiu ao imperador governar em sintonia com os interesses dos partidos e da
população.
b) Sendo a “conciliação” um ideal presente na vida política do país, os partidos pouco se
diferenciavam na prática.
c) Os conservadores conduziam a vida partidária do Império, mas quem governava com
ampla liberdade política e econômica eram os liberais.
d) As reformas eleitorais e o fim do tráfico negreiro no segundo reinado asseguraram a
liberdade de atuação da câmara dos deputados.
13) O “Primeiro Reinado” do Brasil é o nome dado ao período em que D. Pedro I governou
o Brasil como Imperador, e compreende o período entre 7 de setembro de 1822, data em
que D. Pedro I proclamou a independência do Brasil, e 7 de abril de 1831, quando abdicou
do trono brasileiro. Sobre esse assunto, estabeleça correspondência entre a primeira e a
segunda coluna.
1ª coluna
1) Confederação do Equador.
2) Guerra da Cisplatina.
3) Noite das Garrafadas.
4) Dia do Fico.
2ª coluna
( ) As forças políticas das províncias do Nordeste, lideradas por Pernambuco, rebelaram-se
contra o soberano e pregavam uma república livre da coroa, com capital em Recife.
( ) O então príncipe regente D. Pedro de Alcântara foi contra as ordens das Cortes
Portuguesas que exigiam sua volta, em 9 de Janeiro de 1822.
( ) Resultou na perda da província, que se tornou independente como República Oriental
do Uruguai, em 1828.
( ) Em março de 1831, D. Pedro I chegou ao Rio de Janeiro após uma viagem, encontrando
oposição aberta nas ruas da cidade e o conflito culminou na noite do dia 13, quando os
portugueses organizavam uma grande festa para recepcionar o governante, mas os
revoltosos impediram sua realização.
A sequência correta é: a) 2, 3, 4 e 1 .
b) 1, 2, 4 e 3 .
c) 3, 2, 4 e 1.
d) 1, 4, 2, e 3.
14) Na segunda metade do século XIX, o império do Brasil passou por um processo de
modernização da infra-estrutura produtiva e urbana, com a construção de estradas de ferro para
escoar a produção e a implantação de serviços de iluminação e transporte publico urbano
(bondes) em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo. Os capitais que financiaram essa
modernização da infra-estrutura produtiva urbana eram majoritariamente provenientes:
a) do crescimento e da integração do mercado de consumo interno.
b) da exportação de café e de empréstimos externos feitos junto a banqueiros ingleses
c) de empréstimos externos feitos junto a banqueiros americanos.
d) de capitais obtidos pela expansão do setor industrial.
15) Pode parecer estranho terem ocorrido tantas revoltas! Afinal, esse foi um período em que se
procurou dar alguma autonomia às Assembléias Provinciais e também organizar a distribuição
de rendas entre o governo central e as províncias. Porém, nunca eclodiram tantas revoltas em
vários lugares do recém fundado Império do Brasil, contando, inclusive, com a presença dos
setores empobrecidos da população.
A que período da História do Brasil o texto acima refere-se?
a) Regências.
b) I Reinado.
c) Período Joanino.
d) II Reinado.
16) É prova de mendicidade extrema o não ter um escravo; é indispensável ter ao menos dois
negros para carregarem uma cadeira ricamente ornada e um criado para acompanhar este trem.
Quem saísse à rua sem esta corte de africanos estaria seguro de passar por um homem de
economia sórdida. (José da Silva Lisboa. Carta, 1781.)
Considerando o texto, é correto afirmar que a escravidão
a) impunha um modo de vida de trabalho para ricos e pobres.
b) expressava a decadência moral dos brasileiros.
c) contrastava com a riqueza das elites portuguesas.
d) moldava as relações sociais e econômicas no Brasil.
17) O ano de 2008 assinalou os duzentos anos da chegada da Família Real ao Brasil. Sobre isso
assinale a alternativa correta.
a) A monarquia que chegava ao Brasil representava, em realidade, boa parte dos ideais da
Revolução Francesa e do liberalismo europeu daquele período.
b) As motivações da vinda da Família Real para o Brasil estão relacionadas mais à
realidade européia do período do que à idéia de desenvolvimento de um Brasil
monárquico e posteriormente independente de Portugal.
c) Foi incentivada a manifestação pública de nossos problemas, seguindo as práticas
liberais e laicas da monarquia portuguesa.
d) Chegando ao Brasil, o monarca trabalhou muito para a ampliação da cidadania.
18) Comparado com o tumultuado Período das Regências, o Segundo Reinado pode ser
considerado de relativa tranqüilidade. De seu quadro político pode-se afirmar que:
a) Foi marcado pela hegemonia das elites agrárias e pela alternância dos partidos
Conservador e Liberal.
b) Embora mantendo o poder moderador, avançou-se no processo democrático, com a
reforma constitucional que permitiu a realização de eleições livres.
c) Foi controlado pelos setores militares e religiosos que conseguiram diminuir o peso
político dos políticos ligados a agro-exportação.
d) Foi marcado pela pacificação das províncias insurgentes e pela implantação do
parlamentarismo e da estrutura federativa.
19) O trabalho escravo foi uma das marcas da colonização portuguesa na América e deixou
profundas seqüências na sociedade brasileira. Sobre essa forma de trabalho compulsório no
Brasil, considere as seguintes afirmativas:
I. Durante os primeiros séculos de colonização a escravidão indígena foi adotada em
diversas regiões da colônia, sendo paulatinamente substituída pela africana;
II. Até 1850, o tráfico internacional de escravos era a principal fonte fornecedora de
mão−de−obra escrava, posto que no Brasil a reprodução endógena não supria a
crescente demanda por cativos;
III. Os escravos empreenderam diversas estratégias de resistência à escravidão, tais como as
fugas, os quilombos e as insurreições;
IV. A Lei do Ventre Livre (1871) e a Lei dos Sexagenários (1885) foram elaboradas com o
intuito de promover a transição lenta e gradual para o trabalho livre.
Assinale a alternativa correta.
a) I, II, III e IV são verdadeiras.
b) Apenas II e IV são verdadeiras.
c) Apenas I e IV são verdadeiras.
d) Apenas II e III são verdadeiras.
20) A partir de 1850, houve um decréscimo significativo na importação de escravos no Brasil.
Essa situação está relacionada:
a) à permanência do tratado de 1810, renovado em 1826, reafirmando o compromisso do
Brasil em abolir o tráfico negreiro.
b) ao início das campanhas abolicionistas, pressionando pela promulgação de leis que
libertassem os escravos menores de 18 anos.
c) às sanções políticas da Inglaterra contrárias ao tráfico de escravos, obrigando à
promulgação da Lei Eusébio de Queiroz.
d) à decretação da tarifa Alves Branco, que aumentava as taxas entre 30% e 60%,
ocasionando dificuldades para importação.